
Rio – O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb -Rio) anunciou, no início da noite desta terça-feira, que fará uma paralisação de 24h em protesto contra a Reforma da Previdência, a partir da 0h desta quarta-feira.
Segundo o presidente do sindicato, Sebastião José, o número de adesão da categoria só poderá ser indicado nas primeiras horas de quarta. “Ainda não sabemos como será a adesão nas garagens, mas o sentimento da categoria é pela paralisação. Vamos fazer tudo dentro da lei, para que a população não seja prejudicada. A reforma proposta pelo governo vai atingir todo o setor de transportes. Hoje um motorista que começa trabalhando aos 25, por exemplo, vai se aposentar com 74 anos. Acaba com a aposentadoria do rodoviário e de outras categorias. Vamos saber como será a partir das primeiras horas da manhã”, pontuou.
Em assembleia lotada, os motoristas e cobradores de ônibus do Rio decidiram pela paralisação de 24 horas das atividades na capital a partir da meia noite desta quinta-feira (15). “Os trabalhadores decidiram pela adesão à paralisação nacional contra as reformas trabalhista e da previdência. A aprovação da reforma da previdência significa a extinção da aposentadoria por tempo de serviço para os rodoviários. Na nossa categoria não há trabalhadores com mais de 65 anos na ativa, muitos se aposentam por invalidez, em função de doenças oriundas do exercício da profissão, como problemas graves na coluna”, explica o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus, Sebastião José da Silva. Segundo ele, a categoria também vai paralisar atividades em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ), Dorotéa Santana, confirma a forte adesão dos trabalhadores da educação. “A adesão dos professores está grande. Na região onde monitoro, em Jacarepaguá, Barra e Recreio, é de 80% a 100% de docentes que devem parar por escolas das redes municipal e estadual. Nas outras regiões a informação que temos é que adesão também é alta”, garante a coordenadora do Sepe.
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RJ), Ronaldo Leite, também explica que outros importantes setores da economia prometem realizar mobilizações e paralisações. “O sindicato dos Comerciários vai realizar uma mobilização no centro Rio, uma espécie de ‘arrastão’ de trabalhadores e se juntará a nós no grande ato. Assim como os funcionários do saneamento básico, que vão paralisar alguns setores”, destaca Ronaldo Leite.
Para Leite, somente uma grande mobilização popular será capaz de barrar a reforma trabalhista e a da Previdência. “A proposta da reforma da Previdência feita pelo governo de Michel Temer é um verdadeiro massacre aos trabalhadores. Como esse governo golpista tem mais de 400 votos na Câmara de Deputados para passar qualquer coisa, nossa única alternativa é mobilizar o povo para não permitir essa retirada de direitos”, ressalta o presidente da CTB-RJ.
O trajeto do ato dessa vez será em direção à Central do Brasil, no sentido oposto de protestos anteriores. “A Central do Brasil é um lugar de grande concentração de trabalhadores, que usam o transporte público. Essa é uma forma de dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras, que serão afetados diretamente por essa reforma”, explica Marcelo Rodrigues, da CUT.